Parte do movimento negro no Brasil desenvolveu um vocabulário interno e um conjunto de ideias objetivamente racistas.
O termo “palmiteiro” é um exemplo. Segundo eles, o negro que se apaixona por uma branca e quer constituir família é um tipo de traidor da raça.
Para mim, cada um dos termos utilizados nessa definição é absurdo.
O negro, no Brasil, não é perfeitamente negro. O branco não é perfeitamente branco. E a existência de diferenças raciais entre humanos não existe. Especialmente no Brasil, onde as pequisas genéticas indicam que s 83% da população brasileira tem, pelo menos, 10% de DNA negro. Ou seja, quase todo mundo é moreno, geneticamente falando.
Digamos que o movimento negro queira basear a classificação de raça apenas na cor da pele.
Neste caso é fato que a ala do movimento que usa palavras como “palmiteiro” quer controlar a vida amorosa e familiar dos seus membros, limitando a constituição de famílias entre morenos claros e morenos escuros (aos quais eles se referem como “brancos” e “negros”).
Ora, isso é, efetivamente, a instituição voluntária da segregação racial.
A segregação racial, especialmente na esfera sexual e familiar, é o instrumento clássico e típico de regimes tecnicamente racistas. Esta ala do movimento negro é racista. E, necessariamente, ignorante e maligna como todo grupo racista.
Eu noto que as pessoas fazem troça do movimento negro dizendo “imagine se um branco dissesse isso”. Mas não acho que seja uma linha de argumento persuasiva.
Na história do mundo, o racismo se aplicou a grupos etnicamente muito semelhantes. E, aos olhos de um observador externo, quase idênticos. Já houve racismo de ingleses em relação a irlandeses. De chineses contra mongóis. De miríades de tribos africanas umas contra outras. E mesmo de brasileiros do nordeste contra brasileiros do sudeste.
Para criticar essas situações, todas elas em conjunto, é preciso ir ao fundo do problema. O racismo é burro e irracional porque cria separações artificiais entre grupos humanos, com base em diferenciações falsas, visando a degradar um grupo injustamente. Isso o torno abjeto.
Por esses motivos, a ala do movimento negro que aceita a retórica segregacionista é abjeta.