A conquista da América e o amor aos pais

DXI3MSEWsAUSCPJHoje me deparei com essa pintura, chamada “Mercúrio, Minerva e o Novo Mundo” (Barthelemy Joseph Fulcran Roger, 1817).

Dois deuses gregos amparam e consolam um personagem Asteca.

Atena oferece um ramo de oliveira, simbolizando a paz entre a cidade derrotada e a nova civilização que virá absorvê-la.

Apesar de os deuses serem gregos, o quadro representa, de forma mais ampla, a cultura ocidental. É costumeiro que símbolos de Grécia e Roma sejam usados para indicar qualidades da civilização cristã. Nos Lusíadas, por exemplo, Camões demarca toda a história dos descobrimentos com querelas entre deuses gregos, especialmente entre Afrodite, protetora de Portugal, e Baco, que deseja atrapalhar os portugueses.

A força da religião cristã é simbolizada pelo gesto de Mercúrio. Ele sustém a mão do índio desanimado, indicando que os vencedores não vieram para destruir, mas para amar seus antigos inimigos.

O paradoxo do amor ao inimigo é a chave para o sentido geral do quadro.  Atena é a deusa da civilização e da paz, embora também governe a guerra. E Mercúrio traz em si o comércio e a riqueza, mas é também um mensageiro entre os deuses e a terra. Estes dois deuses, que representam em si mesmos o conflito civilizacional entre a violência e a ordem, quando estão juntos exprimem que a América foi derrotada para ocupar um lugar mais alto do que tinha antes na história do mundo.

Mercúrio simboliza o anjo que nos leva, com mão segura, para o alto.

Esta temática foi comum durante certo tempo. Nova Iorque foi construída como a nova Roma (não é por acaso que seu lema é “The Empire State”).  E, desde sempre, toda a América, da Argentina ao Canadá,  foi chamada de o Novo Mundo.

Que carinho enorme o autor desta obra de arte tinha pela nossa cultura.

Nós todos, americanos ocidentalizados e cristianizados, amávamos nossa herança grega e latina e tínhamos orgulho porque nossos antepassados entregaram o catecismo católico aos índios, seja no Brasil, seja no México.

Um exemplo disso é que, no nosso país, José de Anchieta ensinava aos índios poesias religiosas com versos simples e bonitos, escritos na língua Tupi.   Um deles, que eu aprecio muito, é este sobre Nossa Senhora:

Tupã sy, xe sy abé
(Mãe de Deus, minha mãe também)

Eu fico feliz e grato que minha terra tenha recebido o melhor da Europa e que meus avós tenham tido a paciência e o zelo de entregarem esta cultura a mim.

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